
Resposta rápida: o duto flexível certo para exaustão industrial é aquele compatível com o material transportado (pó, serragem, fumos, gases ou granulados), a temperatura de trabalho, o nível de abrasão, a pressão ou vácuo do sistema e o diâmetro calculado pela vazão. Para pós e partículas abrasivas, o poliuretano (PU) com espiral de aço costuma ser a opção de melhor desempenho e vida útil; para gases e aplicações leves de baixo custo, o PVC pode atender; para altas temperaturas, são indicados tecidos técnicos revestidos ou dutos metálicos.
Um duto mal especificado não é apenas um componente que precisa ser trocado antes da hora. Ele derruba a eficiência da captação, aumenta o consumo de energia do exaustor, gera paradas não programadas e pode comprometer a segurança da operação. A seguir, apresentamos os critérios técnicos que engenheiros de manutenção, projetistas e compradores industriais devem avaliar antes de fechar um pedido.
1. Comece pelo que será transportado
A primeira pergunta não é “qual duto?”, e sim “o que passa por dentro dele?”. Cada tipo de contaminante exige uma combinação diferente de material, espessura de parede e construção.
- Pós e partículas abrasivas (areia, cimento, minério, pó de lixamento, vidro): exigem alta resistência à abrasão.
- Serragem, cavacos e fibras (madeira, MDF, têxtil, papel): volume alto, abrasão moderada e risco de acúmulo de carga eletrostática.
- Granulados e pellets (plástico, grãos, ração): impacto constante nas curvas.
- Fumos, vapores e gases (solda, processos químicos, cozinhas industriais): atenção à temperatura e à compatibilidade química.
- Ar ambiente e ventilação geral: menor exigência mecânica; prioridade para leveza e custo.
2. Material do duto: PU x PVC x outras opções
Poliuretano (PU)
O poliuretano é a referência do mercado para exaustão de materiais sólidos. Sua principal vantagem é a resistência à abrasão, amplamente reconhecida como superior à do PVC e da borracha convencional em aplicações com partículas. Também oferece boa flexibilidade, memória elástica (retorna à forma após ser comprimido) e boa resistência a óleos e graxas.
Existem duas famílias principais:
- PU poliéter: maior resistência à hidrólise e a micro-organismos; indicado para ambientes úmidos e para aplicações em que a higiene é crítica.
- PU poliéster: excelente desempenho mecânico e boa resistência a óleos e combustíveis.
Como faixa geral de mercado, dutos de PU trabalham tipicamente entre -40 °C e +90 °C em regime contínuo, com algumas formulações admitindo picos curtos acima disso. Os dutos e mangueiras da Suprimas são fabricados em 100% poliuretano, o que evita misturas que reduzem a vida útil da parede interna.
PVC
O PVC flexível é uma alternativa de menor custo para ventilação, gases e partículas leves. Tem boa resistência química a diversos ácidos e bases diluídos, mas desgasta mais rápido com materiais abrasivos e tende a enrijecer em baixas temperaturas. Faixa geral de mercado: aproximadamente -10 °C a +60 °C.
Outras opções
- Borrachas (EPDM, neoprene, NBR): robustas e indicadas para algumas aplicações químicas ou de maior temperatura, porém mais pesadas.
- Tecidos técnicos revestidos (fibra de vidro com silicone, PTFE etc.): voltados a ar quente e fumos, com faixas gerais que podem passar de +200 °C, conforme o revestimento.
- Dutos metálicos semiflexíveis (alumínio, aço galvanizado, inox): para altas temperaturas e gases quentes, com menor flexibilidade e maior dificuldade de instalação.
3. Tabela comparativa de materiais
| Critério | PU (poliuretano) | PVC flexível | Borracha | Tecido revestido | Metálico semiflexível |
|---|---|---|---|---|---|
| Resistência à abrasão | Excelente | Regular | Boa | Baixa | Boa |
| Faixa geral de temperatura contínua* | -40 °C a +90 °C | -10 °C a +60 °C | -30 °C a +100 °C (varia com o composto) | Até +200 °C ou mais | Até +250 °C ou mais |
| Flexibilidade | Alta | Média a alta | Média | Alta | Baixa |
| Peso | Leve | Leve | Pesado | Muito leve | Médio |
| Resistência a óleos | Boa a excelente | Regular | Boa (NBR) | Varia | Excelente |
| Aplicações típicas | Pó, serragem, granulados, abrasivos | Gases, ventilação, partículas leves | Químicos, uso pesado | Ar quente, fumos | Gases quentes, exaustão térmica |
| Custo inicial relativo | Médio | Baixo | Médio a alto | Médio a alto | Médio a alto |
*Faixas técnicas gerais de mercado, apenas para orientação. Os limites reais dependem da formulação, da espessura de parede, da pressão de trabalho e do fabricante. Sempre confirme com a ficha técnica do produto.
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4. Diâmetro: calcule pela vazão e pela velocidade de transporte
O diâmetro não deve ser escolhido “pela boca do equipamento”. Ele resulta da relação entre a vazão de ar do sistema e a velocidade mínima de transporte necessária para que o material não decante dentro do duto.
Fórmula básica: Q = V × A, em que Q é a vazão (m³/s), V é a velocidade (m/s) e A é a área da seção (m²).
Faixas gerais de velocidade de transporte, segundo referências de ventilação industrial amplamente usadas:
- Gases, vapores e fumos: cerca de 10 a 15 m/s.
- Pós leves e serragem fina: cerca de 15 a 20 m/s.
- Pós médios, cavacos e granulados: cerca de 18 a 23 m/s.
- Pós pesados e materiais úmidos: 23 m/s ou mais.
Exemplo prático: um coletor de serragem com vazão de 1.500 m³/h e velocidade de projeto de 20 m/s exige área aproximada de 0,0208 m², o que corresponde a um diâmetro interno próximo de 160 mm.
Duto subdimensionado aumenta a perda de carga e o consumo de energia; duto superdimensionado reduz a velocidade e provoca acúmulo de material e entupimentos.
5. Temperatura de trabalho e de pico
Considere duas temperaturas: a contínua, que o duto suporta durante toda a operação, e a de pico, que ocorre por curtos períodos. Em processos de solda, secagem ou exaustão próxima a fornos, avalie também a possibilidade de fagulhas e partículas incandescentes, que podem exigir materiais específicos, distância de captação adequada ou dispositivos de proteção, como separadores de faíscas.
6. Abrasão e espessura de parede
Em aplicações abrasivas, a espessura da parede é tão importante quanto o material. Paredes mais grossas aumentam a vida útil, mas reduzem a flexibilidade e aumentam o peso. Como referência geral, dutos de PU leves para ventilação têm paredes finas, enquanto modelos para transporte de material abrasivo usam paredes significativamente mais espessas.
Atenção especial às curvas: é nelas que o impacto das partículas é maior. Raios de curvatura amplos reduzem o desgaste e a perda de carga.
7. Pressão, vácuo e a função da espiral de aço
Sistemas de exaustão trabalham, em geral, sob pressão negativa (vácuo). Sem reforço adequado, o duto pode colapsar e reduzir a seção útil. A espiral de aço incorporada à parede garante:
- Resistência ao vácuo e ao esmagamento, mantendo o diâmetro interno estável.
- Memória de forma, recuperando o perfil após compressões acidentais.
- Possibilidade de aterramento: em espirais de aço cobreado, a conexão da espiral ao sistema de aterramento ajuda a dissipar cargas eletrostáticas, um ponto crítico na exaustão de poeiras combustíveis, como as de madeira, grãos, açúcar e alguns plásticos.
Regra geral de mercado: quanto maior o diâmetro, menor a resistência ao vácuo para uma mesma construção. Por isso, diâmetros grandes exigem espiral e parede corretamente dimensionadas.

Importante: em atmosferas com poeiras ou gases inflamáveis, a seleção do duto deve fazer parte da análise de risco da instalação, conduzida por profissional habilitado e em conformidade com as normas aplicáveis.
8. Aplicação por setor
Indústria moveleira e madeireira
Serragem, cavacos e pó de MDF. Recomenda-se duto de PU com espiral de aço cobreado aterrável, pela combinação de abrasão e risco eletrostático.
Plásticos e reciclagem
Transporte de pellets, flocos e moídos. Prioridade para PU de parede reforçada, pela resistência ao impacto em curvas.
Mineração, cimento e cerâmica
Materiais altamente abrasivos. PU de parede espessa costuma oferecer a melhor relação entre vida útil e custo.
Alimentos, rações e agronegócio
Farinhas, grãos e açúcar. Indica-se PU poliéter, pela resistência à hidrólise e a micro-organismos. Quando houver contato direto com alimentos, confirme a conformidade do material com a legislação sanitária aplicável.
Metalurgia e solda
Fumos e partículas quentes. Avalie temperatura e risco de fagulhas; dependendo do ponto de captação, pode ser necessário tecido técnico revestido ou duto metálico.
Química e laboratórios
Gases e vapores. A escolha depende da compatibilidade química; PVC e materiais especiais costumam ser avaliados caso a caso.

9. Checklist para pedir o orçamento certo
Antes de solicitar a cotação, reúna estas informações:
- Material transportado (tipo, granulometria e se é abrasivo, úmido ou combustível).
- Vazão do sistema (m³/h) e diâmetro de conexão.
- Temperatura contínua e de pico.
- Pressão ou vácuo de trabalho.
- Comprimento total e raio das curvas.
- Ambiente (interno, externo, exposição a UV, óleos ou produtos químicos).
- Necessidade de aterramento e tipo de terminal ou conexão.

Perguntas frequentes (FAQ)
Qual é o melhor material de duto flexível para exaustão de pó?
Para pós e partículas abrasivas, o poliuretano (PU) com espiral de aço é geralmente a melhor opção, pela alta resistência à abrasão, flexibilidade e boa resistência ao vácuo.
Qual é a diferença entre duto de PU e duto de PVC?
O PU oferece resistência à abrasão muito superior e melhor desempenho em baixas temperaturas; o PVC tem custo inicial menor e atende bem a gases, ventilação e partículas leves.
Como calcular o diâmetro do duto flexível?
Divida a vazão (m³/s) pela velocidade de transporte recomendada (m/s) para obter a área da seção e, então, calcule o diâmetro. Para serragem, por exemplo, usa-se em geral algo próximo de 20 m/s.
Por que a espiral de aço precisa ser aterrada?
Porque o atrito das partículas com a parede gera eletricidade estática. A espiral de aço cobreado conectada ao aterramento ajuda a dissipar essa carga, reduzindo riscos em ambientes com poeiras combustíveis.
É possível fabricar duto flexível sob medida?
Sim. A Suprimas desenvolve dutos e mangueiras flexíveis sob medida, com diâmetro, comprimento, espessura de parede e construção definidos de acordo com a aplicação.
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A Suprimas fabrica, em São Paulo, tubos, dutos e mangueiras flexíveis industriais 100% poliuretano, além de dutos de ventilação e exaustão, proteções sanfonadas, juntas flexíveis, mantas filtrantes e trombas de carregamento. Cada projeto é tratado de forma técnica, com soluções sob medida para a realidade da sua planta.
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